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limbos verdes

limbos verdes

algumas notas, ligações e uma nova leitura

 

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• em modo 'conclusão' desta série de posts:

é fundamental novas pedagogias para que nos relacionemos  de outra forma com a/s árvores/natureza. se por um lado vejo comportamentos que fazem sentir otimista, também há tantos  outros, e maioritários, que me fazem oscilar. quando olho para as abordagens que fizeram no meu tempo de estudante- primária, preparatória- nem sei bem o que dizer... no dia da árvore, nalguns anos, alguém decidia que devíamos plantar alguma árvore, para uns anos depois ser(em) cortada(s). foi este o exemplo dado. precisamos de dar um salto tão grande, tendo em conta os desafios que enfrentamos nas 2 próximas décadas. que saibamos ter humildade e estar à altura - e aceitar finalmente novos paradigmas. 

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• " conhecer bem as plantas, no futuro próximo, será cada vez mais importante. delas dependeu a nossa existência na terra (sem fotossíntese jamais se teria criado oxigénio que tornou possível a vida dos animais no planeta) e depende ainda hoje a nossa sobrevivência (encontram-se na base da cadeia alimentar), sem contar que são também a origem das fontes energéticas ( os combustíveis fósseis) que há milénios sustém a nossa civilização. trata-se, por conseguinte, de preciosas "matérias-primas", fundamentais para alimentação, a medicina, a energia, os materiais. delas, cada vez mais, depende igualmente o nosso futuro desenvolvimento científico e tecnológico."

in verde brilhante, a sensibilidade e a inteligência das plantas, stefano mancuso  e alexandra viola

• graças aos jardins botânicos, universidades e alguns jardins históricos muitas árvores nos meios urbanos foram sendo 'poupadas', atingindo uma idade muito superior às que vivem no meio rural. como referi atrás, aqui no campo o objetivo tem sido a produção agrícola. há algumas exceções. uma delas é a mata do convento do varatojo, que pretendo visitar  - agora adulto - em breve e onde elas foram sendo protegidas. portanto, pessoas citadinas, aproveitem bem o privilégio de terem por perto essas árvores  com maior longevidade! 


•só recentemente fiz esta leitura sobre as árvores e o meu pai: 

o meu pai foi um destes agricultores com uma relação essencialmente utilitária da terra e das plantas - e foi também um dos jovens adultos que participou na guerra colonial. regressou cheio de feridas/dores. embora não falasse delas, toda a família sentia a sua presença e, também ela - nós- viveu com medo de ser atingida com os estilhaços dessa guerra. 

mas quero chegar as árvores: como referi num post lá atrás, também ele viveu as plantas a terra  de forma utilitária. cultivou vinhas, couves, tomate,... algumas - poucas - árvores de fruto. mas sei que encontrou momentos de prazer/contentamento nas muitas horas em que com elas  trabalhou, embora de forma difusa, pouco consciente.
antes dos meus 25 anos comecei a plantar  árvores- ciprestes, pinheiros, liquidambar,  jacarandás, entre outras, num terreno da família. nos meus aniversários fazia questão de regressar à aldeia e plantar uma árvore. lembro-me perfeitamente da estranheza no rosto dele: isso demora uma eternidade a crescer, a fazer sombra! disse-me com um certo desprezo.  os anos foram passando. numa das visitas ao terreno vejo uma série de plátanos e choupos. tinham sido plantados por ele. o homem que cortou a enorme nespereira quando eu tinha menos de 5 anos, andava agora, com mais de 50anos, a plantar árvores sem nenhuma 'utilidade ' (!) nem fruta davam.  vi as coisas desta perspectiva há relativamente pouco tempo: de certo modo, influênciei o meu pai desta forma e, antes de ele partir, chegou a saborear alguma sombra das árvores que plantou, chegou a ouvir o som das folhas dos choupos nos dias com mais vento, e isto, para mim, é das coisas mais bonitas desta experiência de estar vivo. ficar no outro, nem que seja da forma mais subtil possível. pensar que contribui para que ele as sentisse de uma maneira diferente/nova, é das coisas mais importantes para mim -  e só estou consciente disto há poucos meses - o meu pai partiu há 11 anos. 

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• ainda sobre a questão de falarmos ou não com as plantas: é tão maravilhoso/rico experimentar uma consciência/atenção livre de conceitos e de palavras. em vez de insistirmos em trazer as plantas para este nosso mundo conceptual/ilusório, façamos o caminho oposto: vamos nós ao encontro delas, com a mente em silêncio - o mais possível ;) 

 

algumas ligações com árvores de forma direta ou indireta: 

taperá house ( arquitetura) 

reforest project (projeto consciência ambiental) 

silent spring (livro)

sementes(bbc earth - vídeo) 

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